Esses trabalhos são feitos em coautoria entre mãe e filha, que, convivendo com a demência, convivem também com a abstração, essa forma de pensamento que dissolve o contorno das coisas.
A série investiga o gesto, a cor e a costura como formas de pensamento pictórico. Algumas imagens nascem do ateliê físico; outras, de projeções digitais, ensaios de obras vindouras (ou não). Concretas ou virtuais, todas habitam um mesmo campo de experimentação, onde a pintura se expande e o fazer se confunde com o imaginar.
Costurar tecidos domésticos talvez seja uma tentativa de costurar a memória que se desfaz, de conter a matéria que insiste em se perder.
As imagens criadas digitalmente — visões de obras que existem e não existem — habitam o intervalo entre lembrar e esquecer, entre o real e o inventado, onde o sentido já não importa, desde que permaneçam pulsando a cor e o afeto.
























