AUTORRETRATO INFAMILIAR
Que outros imaginários podem nascer quando olhamos a mãe com outros olhos e deixamos que ela também nos olhe de volta?
O Projeto Autorretrato Infamiliar é desenvolvido em coautoria com minha mãe, Adair Martiól, desde 2021. Nele, produzimos imagens consolidando uma prática que tensiona as fronteiras entre autoria, intimidade, cuidado e criação compartilhada.
Minha mãe sonhava com uma filha para acompanhá-la na velhice. Eu fugia. não queria dedicar minha vida aos cuidados da mãe idosa. No entanto, a pandemia em 2020 me fez retornar ao lar materno. Desde então, estamos nos reconhecendo. Criamos, no espaço doméstico, um território infamiliar, onde o amor também morde. Sim, me tornei a filha que cuida da mãe velha, mas não como eu temia ser. Nosso convívio é mediado pela arte, que nos reposiciona no mundo de forma ativa e política.
Resistimos à domesticação. Não abandonamos, nem renegamos o espaço doméstico, o transformamos em trincheira.















