"O Vazio Também Tem Peso" investiga a materialidade paradoxal do voil — um tecido que, sendo quase nada, consegue dar corpo ao invisível.
A série nasce de um gesto doméstico, quase distraído, que minha mãe começou a repetir: dobrar tecidos e redes de frutas que vinham do mercado. Espalhados pela casa, esses fragmentos pareciam conter uma estranha solenidade, como se uma vontade de forma, um pensamento escultórico se insinuasse entre as dobras. Nenhuma peça era planejada, e nenhuma durava, existiam até que o espaço precisasse ser limpo, ou o tecido retomasse seu uso comum.
Nas esculturas, o voil se dobra, tensiona e respira, convertendo leveza em monumento. O vazio adquire, então, uma das propriedades fundamentais da matéria: o peso.
Cada curva, cada intervalo entre os tecidos, reverbera o gesto inaugural — o desejo de dar corpo ao efêmero, de esculpir o invisível, de contemplar, ainda que por instantes, a natureza da matéria e a densidade do próprio vazio.
O vazio também tem peso. Dariane Martiól e Adair Martiól, 2025 — Escultura. Voil e arame. Dimensões variáveis.





















